Carros elétricos: panorama brasileiro

Os veículos elétricos, ou VEs, funcionam com um ou mais motores elétricos, alimentados por baterias que podem ser recarregadas em carregadores dispostos pelas cidades ou até mesmo no conforto do seu lar. São veículos não-poluentes, silenciosos, e com um custo de manutenção rotineira comparativamente menor em relação aos veículos movidos a combustíveis.

No Brasil já existem alguns modelos de VEs. BMW, Mitsubishi e Nissan são algumas das marcas que já disponibilizaram, conquanto de forma restrita, modelos para circulação. Entretanto, o estabelecimento de um mercado interno de VEs esbarra na falta de incentivos por parte do governo e na carência da estrutura interna: dentro da legislação atual, por exemplo, o BMW i3 chegaria ao Brasil a R$235 mil, o Mitsubishi i-Miev e o Nissan Leaf, na faixa dos R$200 mil — valores inviáveis para a consecução ao menos inicial de um mercado. Além disso, o país não apresenta — talvez pela questão tostines — uma rede de carregadores ou supercarregadores disposta através das grandes cidades. Ainda assim, já há um passo dado em direção aos VEs: embora os modelos não sejam oficialmente comercializados no país, alguns carros elétricos estão em posse & uso por parte do governo e algumas empresas.

Apesar de grande aceitação popular em países onde esses veículos já foram introduzidos, a iniciativa recebe críticas relacionadas, principalmente, à autonomia das baterias e ao tempo de recarga. A título de exemplo, o BMW i3 apresenta 130km de autonomia, com tempo de recarga 3 horas; o Mitsubishi i-Miev, 100km e 8 horas; e o Nissan Leaf, 135km e 8 horas. Com o intuito de salientar a capacidade e o potencial desse nicho tecnológico, vale apontar que a marca Tesla — grande símbolo dos carros elétricos em termos de eficiência e design —, possui um modelo (Tesla Model S) que apresenta impressionantes 426 km de autonomia, com tempo de recarga de 4 horas.

De fato, carros elétricos para usos intermunicipais talvez não sejam a melhor pedida. No entanto, para uso urbano cotidiano, são mais que suficientes: em São Paulo, carros rodam uma média de 41km por dia. Tomando um Nissan Leaf como referência, a recarga teria de ser feita, para um paulistano, uma vez a cada três dias — provavelmente em seu período de descanso e em sua própria casa. A utilização desses veículos representariam uma diferença notável na qualidade do ar:  basta imaginar que, na capital paulista, por exemplo, os carros são responsáveis por 90% da poluição atmosférica. É claro, isto está vinculado, também, à fonte da energia de alimentação dos VEs — idealmente, a energia viria de fontes renováveis e limpas.

De qualquer forma, o potencial para a entrada dos VEs no mercado brasileiro é grande. O principal empecilho, como apontado anteriormente, é a falta do respaldo do governo e de suas políticas de incentivo — e, nesta questão, a opinião pública ainda desempenhará um papel fundamental.