Cinema feito por Elas

 

O Festival de Cannes terminou nesse domingo, dia 24, mas é uma fala da atriz Natalie Portman, no dia 17, que quero dar destaque. Em sua primeira aparição ao festival como diretora e atriz, Natalie desabafou sobre a dificuldade de ser diretora em uma indústria “totalmente desequilibrada” em favor dos homens. Ela, que dirigiu e atuou no filme “A Tale of Love and Darkness”, uma produção que durou 10 anos, disse que temia ser chamada de narcisista.

A lista de diretores que atuam em seus próprios filmes é longa. Um dos pioneiros da prática é o aclamado diretor Woody Allen, que já foi — e ainda é, chamado por muitos nomes, mas narcisista não é bem a palavra que escolhem quando vão falar de seus filmes. Outro praticante da dupla função é Clint Eastwood.

Eles, em geral, não fazem apenas aparições ou personagens de pouca importância nos longas, mas sim atuam como protagonistas das obras. E são aclamados por isso. Os dois diretores/atores citados são nomes sempre presentes em premiações e bem quistos pela crítica.

Mas mesmo para aquelas que não atuam em seus próprios filmes, as mulheres diretoras ainda têm uma longa caminhada pela frente. Até hoje somente uma mulher ganhou o Oscar pela função: Kathryn Ann Bigelow em 2010,  por Guerra ao Terror. E olha que a lista de grandes longas feito por Elas não é pequena, mas vou só citar três.

Esse ano já tivemos Selma, dirigido pela americana Ava DuVernay. O filme conta a história da marcha pelo direito do voto negro, liderada por Marthin Luther King Jr., em 1965. A marcha saiu da cidade de Selma, no interior do Alabama, indo até Montgomery, capital do estado. O longa concorreu a duas estatuetas, de Melhor Filme e Melhor Canção Original, levando o prêmio pela segunda.

Temos ainda o suspense estrelado por Christian Bale, Psicopata Americano, dirigido por Mary Harron. A crítica não conseguiu concordar se o filme era ótimo, ou fraco, mas é inegável o barulho que o filme causou quando lançado. Polêmico, assim como o livro que o deu origem, narra a vida de um homem que é o perfeito exemplo do American Way of Life. Rico, bonitão e bem sucedido. Exceto o fato de que é também um serial killer nas horas vagas.

O último filme que quero falar foi recebido muito bem pela crítica. Precisamos Falar Sobre Kevin foi dirigido por Lynne Ramsay e a trama, baseada no livro homônimo, tenta desvendar o que transforma alguém em um psicopata — seria culpa de seus pais? Pelo ponto de vista da mãe, Eva, conhecemos o conflito da personagem e sua relação com o filho, Kevin, que não chega nem perto do que seria uma relação comum de mãe e filho.

Além de todo o suspense que a psicopatia de Kevin traz para o filme, vemos ainda o conflito da maternidade em Eva, brilhantemente interpretada por Tilda Swinton, que contra tudo que se acredita ser o socialmente correto, se arrepende de ser sua mãe.