“É preferível morrer do que perder a vida”, escreveu ele em sua Bíblia

Cena do Filme "Batismo de Sangue"

Batismo de Sangue é um filme brasileiro de Hévecio Ratton, lançado em 2007. Baseado no livro de Frei Beto lançado em 1983, de mesmo nome, ambos retratam com exatidão o sofrimento dos seminaristas durante o período militar (1964-1985). A palavra “batismo” do filme vem da cultura cristã, da nova vida que se inicia após a conversão e o batismo. Mas, neste caso o “batismo de sangue” significa a nova vida que tiveram os seminaristas após as torturas e os exílios. Tratava-se de uma conversão ideológica forçada, pelo sangue. Os “rituais de conversão”, a tortura, os levaram a crises psíquicas.

O filme mostra os amigos frades Tito, Oswald, Betto, Fernando e Ivo, que por ideais cristãos lutam juntos com a ANL (Ação Nacional Libertadora) liderada pelo guerrilheiro Carlos Marighella, sendo este um dos maiores lutadores contra a resistência dos militares da década de 60. Não eram apenas frades, eram jovens e idealistas. Os cinco amigos encontram nas ideias libertárias e na fé cristã os motivos para lutarem contra o governo repressor.

A face mais cruel da ditadura militar é exposta no filme: instrumentos institucionalizados de repressão. O filme, por si só, já seria interessante por seu tema, sendo um dos momentos mais importantes do Brasil do século XX. Entretanto, por conter cenas bem realistas das torturas, torna-se ainda mais marcante e necessário de ser visto à conscientização política de quem, ainda hoje, pede a volta daqueles anos.