Telhados Verdes No Espaço Urbano

Fonte desconhecida

Nesta semana, gostaria de trazer à atenção uma solução urbana que, pessoalmente, acredito apresentar um grande potencial tanto em relação ao ambiente urbano em termos naturais quanto estéticos.

Os telhados verdes são, basicamente, lajes ou telhados convencionais aos quais foram adicionados uma cobertura vegetal, mediante a instalação de uma simples estrutura suporte: uma camada impermeabilizante, uma camada de drenagem de água, seguida da camada de terra e, por fim, da camada de plantas.

Embora atualmente seja possível ver um desses apenas aqui ou ali no Brasil, a ideia tem sido fomentada por alguns governos ao redor do mundo, como Estados Unidos, Alemanha, Dinamarca e Canadá. Em geral, tal fomento é realizado mediante políticas de incentivo, como subsídios e descontos em impostos. Aqui no Brasil, liderando a carruagem, a cidade de Recife sancionou em 13 de abril deste ano a Lei Municipal 18.112/2015, que torna obrigatório o plantio de gramas, hortaliças, arbustos e árvores de pequenos portes nas lajes de edifícios com determinadas características.

Os telhados verdes — doravante chamados de “TVs” — são uma solução urbana importante de cuidadosa consideração governamental, principalmente no clima brasileiro. A camada vegetal auxilia na diminuição dos efeitos das ilhas de calor ­— áreas em que a temperatura é maior em relação a outras menos urbanizadas —, na drenagem pluvial, ajudando a prevenir enchentes, além de contribuir para a atenuação da poluição sonora, atmosférica e visual. Ademais, por diminuírem a temperatura ao seu redor, os TVs auxiliam na economia de energia elétrica, uma vez que a utilização dos aparelhos de ar condicionado seria minimizada.

A princípio, sob um olhar ainda leigo, uma maneira de promover os telhados verdes seria a instalação dos mesmos em alguns prédios públicos junto a uma política de incentivo — como, por exemplo, uma porcentagem de desconto no IPTU dos proprietários que instalarem a cobertura vegetal em suas lajes ou telhados. Penso que um grande inibidor da possibilidade de avanço dos TVs em construções residenciais é o fato de, por ser diferente, os telhados “chamam a atenção”. Uma vez que prédios públicos tomassem a iniciativa, ao mesmo tempo que incentivassem a adoção residencial dos TVs, o exemplo estaria dado e alavancado para que a população reproduzisse a ideia, também contribuindo para a minimização do sentimento de isolamento.

Vale ressaltar que, além dos benefícios físicos proporcionados pelos TVs, o apelo estético também é digno de consideração, no sentido de que áreas verdes promovem, em geral, uma sensação de bem-estar, principalmente tendo em vista a árida paisagem urbana tradicional. A título de curiosidade, uma pesquisa da Universidade de Exter, Reino Unido, diz que, por esse motivo, as áreas verdes tornam-se até mesmo um escopo da saúde pública.

De qualquer forma, vale a pena dar uma olhada e apoiar essa iniciativa. Além disso, quem não gostaria de morar em uma casa parecida com o Bolsão?