Da série, medo do futuro: entre o real e o virtual

Foto de Grant Frederiksen

Por vezes vejo fotos nas redes sociais

E sinto como quisesse tocá-las

Ou dizer “olá” e perguntar “como vai seu dia”,

Mas de repente me restrinjo a curtir algum comentário,

Disperso no meio de tantos,

Que não necessariamente compõe uma ideia lógica com os outros…

E meu cérebro, já levemente subtraído de sua capacidade plena,

Pelas peripécias dos tempos idos (e ainda vividos) da juventude,

Se entrega a uma miscelânea de

Uma hora ri, outra chora, noutra discute política

e ainda ontem invejou o  instagram da  amiga que aparece comendo

as tais “madeleines” ao pé da Torre Eiffel

As quais só conheço das leituras de Proust.

Esse mundo virtual não teria mesmo melhor nomenclatura.

Que a realidade, ainda que às vezes confusa,

Mente só dentro dos limites da coerência humana.

Photoshop no máximo era uma roupa monocromática

Ou o pretinho básico que parecia não marcar o culote.

Política costumava envolver cerveja, ou tabaco, ou amigos, de verdade.

Comoção tinha mais a ver com solidariedade que com marketing.

Criança tinha mais a ver com pé sujo que com rosto maquiado.

Longe de mim renegar a geração que possivelmente criará meus filhos,

Mas sinto pela poesia, pela música e até pela alegria,

Que nasceram sentimento, e morrerão publicidade.