Dicas Para Ler Melhor

Foto de Kate Ter Haar

Olá!
Hoje vou mudar um pouco o foco dos meus textos, que geralmente são recomendações de leitura ou poesias, para fazer um breve tutorial sobre como ler melhor.

Local & Você:

1. Para uma boa leitura é recomendável um bom ambiente. Ler em mesas bagunçadas (poluição visual) ou mesmo com ruídos (poluição sonora) pode te atrapalhar muito! Procure locais limpos e silenciosos. Caso não consiga silêncio, há uma alternativa: ouça música clássica com fones de ouvido, de maneira que o som externo fique abafado. Evite músicas com letras em idiomas que você fale, isso pode causar um conflito no seu cérebro.

2. Use luz ao ler. Durante o dia abuse da luz solar, e de noite uma luminária dará conta do recado. Ler com pouca luz, ainda mais deitado, dá sono.

3. Leia sentado as obras mais densas. Livros mais leves são lidos em qualquer posição. Temas pesados nos prendem menos, facilitando o sono. É possível ler toda a saga Harry Potter deitado, mas dessa forma não se chegará nem na metade de Três Ensaios Sobre A Sexualidade.

Dicas de Trato:

Ao ler, seja crítico. Autores, em geral, são tão passíveis de errar quanto qualquer um de nós. E mesmo que não se trate de erro (uma frase errada, ou uma ideia ultrapassada) a sua principal função é se questionar sobre o que o texto expõe. Pense problemas em cima das soluções apresentadas, questione as afirmações, se pergunte até onde a teoria apresentada é válida. Nunca seja um leitor passivo. NUNCA.

Outra dica: reconheça sempre os elementos macrotextuais e microtextuais mais importantes. Para explicar melhor dou um exemplo: Imagine que você está visitando o Museu do Louvre, e então você irá até a Monalisa para verificar que a paisagem está em alturas diferentes de cada lado do rosto, e que Da Vinci mudou o pincel. Tal análise remonta aos microelementos da obra em si. Porém, se você se questionar em qual ala do museu a obra está, ou qual a disposição das outras obras em sua seção e a relação entre elas, estará analisando macroelementos, afinal você não vê esculturas egípcias perto da Monalisa, não é mesmo? Com livros pode-se fazer a mesma coisa.

Em uma analise de microelementos você se questionará o porquê da cicatriz de Harry ser um raio, ou porque Machado de Assis tem uma preferência por certo tipo de adjetivo. São as coisas do livro que precisam de uma lupa para serem reparadas. Já os macroelementos são quase sempre formais, por exemplo: porque os personagens só morrem em páginas pares do livro, porque não havia diálogos até metade da obra, ou porque K. é o mesmo personagem em O Castelo O Processo, de Franz Kafka.

Uma boa leitura dosa a análise entre microelementos e macroelementos, evitando confusão em detalhes inúteis (“Todas as mulheres usam vestido!”), e a megalomania (fictício:“Harry vai a até Hogsmeade em capítulos ímpares”). Com equilíbrio, o questionamento será sempre proveitoso, e lhe trará uma experiência completa do livro.