Boechat, Malafaia e a “rola”

Acredito que todos tenham ouvido, ou ao menos visto os comentários nas redes sociais e nos blogs, a resposta do Ricardo Boechat a Silas Malafaia, na qual o jornalista, ao início e ao final de sua fala, mandou que o pastor “procurasse uma rola” (pra quem não ouviu, segue o link: https://www.youtube.com/watch?v=IP0CLLJIe9o). Por um momento, achei fosse coisa do Jorge Kajuru, mas era mesmo o jornalista da Rádio Bandeirantes.

Há aqueles que defendam que a fala do jornalista foi homofóbica e falocêntrica, por considerar que a “rola” seria um remédio, uma cura, uma correção para o mau comportamento. Outros, entenderam que o comentário foi engraçado e se sentiram, de certa forma, vingados por não poderem eles mesmos ofenderem o pastor.

No entanto, durante a fala de Boechat, que também dirigiu outras ofensas (ou verdades) ao pastor, chamando-o de pilantra, tomador de grana de fiel, explorador da fé alheia, homofóbico e charlatão, disse que o pastor toma dinheiro das pessoas a partir da fé. Mais importante, ressaltou um tema importantíssimo, os atos de incitação à intolerância religiosa, que ocorrem mais no âmbito das igrejas neopentencostais que em outros ambientes.

Mas, só o que repercute, é a rola. Só o que se discute é a rola. Há uma fixação com a rola. Quando se coloca a rola no meio, não se ouve mais nada, nada mais importa. Se Boechat tivesse mandado Malafaia “se foder”, o impacto e a repercussão não seriam os mesmos.

Que tal parar de discutir se o Malafaia é ou não vítima do machismo, se deve ou não procurar uma rola, e olhar para os pontos da fala do jornalista que realmente importam?