Diferença Salarial entre Homens e Mulheres

Na minha opinião, a Economia não se restringe às Ciências Econômicas, ela precisa se aprofundar em estudos de cultura, identidade, comportamento e sociedade. Um debate que exemplifica essa situação é o de diferença salarial entre gêneros.

De acordo com a PNAD (2013), o salário médio masculino no Brasil era R$ 1443 e o salário médio feminino R$1186. Uma diferença, portanto, de 20.8%. São apontados os seguintes fatores econômicos para explicar o cenário: mulheres interrompem a carreira com mais frequência, têm mais propensão a afastamentos médicos, possuem uma jornada de trabalho menor, tendem a recusar empregos estressantes, se dispõem menos a viajar para fora da cidade e, por fim, mulheres se interessam por ocupações de menor valor salarial do que os homens.

Pois bem, convivemos em uma cultura que quando a mulher se casa, torna-se uma empregada não-registrada da casa. Não é difícil perceber que esse contexto cultural faz com que nos problemas familiares, a mulher seja quem tem que abdicar da carreira para cuidar do lar. A tarefa doméstica centralizada na figura materna também faz com que ela precise reduzir sua jornada de trabalho, busque empregos mais estáveis e se recuse a fazer viagens longas. Os países desenvolvidos estão mais avançados nesse sentido, possuindo lavanderias públicas, restaurantes populares e maior número de creches, o que proporciona maior seguridade à mulher que escolhe formar uma família e construir uma carreira. Existe também um problema de aceitação biológica: apenas mulheres engravidam, é evidente que são necessários mais afastamentos médicos. O mercado não se adaptar a essa questão demonstra um conservadorismo que não sabe lidar com fatores naturais. Os direitos trabalhistas precisam ser garantidos a menos que não se queira mais a reprodução da vida humana.

As profissões culturalmente designadas como femininas possuem salários baixos, o que impulsiona essa média salarial feminina para baixo. Mas será que a preferência das mulheres por carreiras como ensino infantil ao invés de engenharia também não é fruto de uma cultura que tenciona as mulheres para profissões de “cuidado e zelo”? Isso quando é possível escolher a carreira, muitas sequer têm essa oportunidade.

Ou seja, o mercado reflete um problema cultural ao determinar menor salário por você ser um risco de contrato, pois a verdade é que você é um risco devido às suas razões biológicas. Mulheres engravidam. Achar que isso é um problema para o trabalho é, em suma, achar que ser mulher é um problema. Para muitas mulheres no mundo, ter filhos não é uma escolha, mas uma imposição matrimonial. Feliz quem pode ser universitária, classe média e empoderada o suficiente para fazer escolhas na sua vida. Mas no “resto do mundo”, muitas mulheres não recebem educação de escolha ou curso superior. Para estas, só restam os valores culturais. Casar, filhos, ser uma empregada da própria família e não ter direito a escolhas é uma realidade naturalizada pelo simples fato de ser mulher. Aí está a raiz da desigualdade: uma cultura que naturalizou o homem como profissional ideal e a mulher como profissional indesejável – eis o machismo.