E cadê as renováveis?

Créditos: Mat Fascione

Talvez você, como eu, tenha ficado assustada(o) ao receber as contas de luz dos últimos meses. Havíamos sido informados de que um aumento ocorreria; no entanto, eu, particularmente — e desinformadamente — não tinha sido preparada para um aumento na casa dos 30%.

Passada a síncope desencadeada pela última conta, decidi olhar com mais cuidado para todo esse problema. Que o país passa por uma crise hídrica, todos nós sabemos — embora nos últimos meses isso tenha saído convenientemente da atenção da mídia. Basicamente, o que acontece é o seguinte: com menor regime hídrico, a produção de eletricidade pelas usinas hidrelétricas torna-se mais custosa, sendo refletida no bolso do consumidor. Além disso, quando a produção por essas usinas não é suficiente para atender a demanda, são acionadas as usinas termelétricas, que produzem uma eletricidade mais cara — e poluente —, também refletindo no consumidor.

Ao ler todas essas informações, tomando contato também com o vai-e-vem dos repasses públicos, apenas um pensamento concreto passava pela minha cabeça: “e cadê as renováveis?”.

Embora hoje venham com maior frequência, as notícias sobre a inserção do Brasil na corrida mundial pela sustentabilidade energética são escassas e vagas. Basta procurar no Google algo a respeito que, com sorte, você encontra uma matéria relevante de 2014. De fato, o país tem dado passos em direção às renováveis: o Ministério do Planejamento, por exemplo, congratulou — em 2014 — a ultrapassagem do Brasil em relação à Alemanha na expansão de energia eólica. No entanto, mediante uma breve pesquisa adicional, percebe-se que as iniciativas estão muito aquém do desejável.

Aliás, fica a crítica: quaisquer buscas acerca da formulação e implantação de políticas, principalmente no que tange à política energética brasileira, estão fadadas a uma curta vida. Matérias oficiais sobre como o Brasil apoia a corrida pela sustentabilidade — e ainda permaneça sentado — são misturadas a elogios sobre as tecnologias existentes e o belo futuro das mesmas, e no fim… você saiu de lá na mesma em que entrou, perguntando-se quais são efetivamente as políticas do país.

De qualquer maneira, as renováveis — e aqui refiro-me principalmente à solar e à eólica, uma vez que a hidrelétrica também é englobada pelo termo— têm uma participação ínfima na matriz elétrica brasileira. A condição da primeira é especialmente curiosa, tendo em vista a pouca incidência solar no país.

Enfim, a formulação de políticas de complementaridade entre os recursos renováveis disponíveis no país se mostra absolutamente essencial para lidar com situações como a que vivemos atualmente de insuficiência produtiva hidrelétrica. A diversificação de fontes de energia é um princípio tão básico que chega aos limites do óbvio. No entanto, como tudo parece necessitar de elocução clara em relação à política brasileira, e principalmente observando que tivemos de recorrer às termelétricas, vale dizer: diversificar em direção às renováveis, não em direção aos combustíveis fósseis.