Para falar de religião

Primeiro: cada um com a sua, ou com a ausência dela. A intenção não é debater quem está certo ou errado acerca de quem criou o mundo ou do que acontece aos mortos. É possível que cada um acredite no que achar mais correto sem que tenhamos esse tipo de debate – que não leva a lugar nenhum.

No entanto, existem questões que envolvem o assunto e vão muito além dos ensinamentos e dogmas de qualquer crença. Para falar de religião em sentido mais amplo – para entender o porquê de um Estado laico, o poder da simbologia religiosa, o que uma pedrada na cabeça da menina candomblecista representa – é preciso buscar o que significa a experiência religiosa e como ela se manifesta.

Essa experiência vai muito além das delimitações de cada culto em particular. Escolher (ou se sentir escolhido por) uma religião é algo muito pessoal, que, porém, está presente nas mais diversas culturas, em reverência aos mais diversos deuses.

De novo: a discussão não é sobre quem está certo. É preciso também superar a visão de que o culto alheio é exótico – inexiste hierarquia entre as diversas religiões, não há uma melhor que a outra. O interessante é tentar compreender a origem das crenças, as manifestações culturais de cada uma delas, as simbologias envolvidas, o impacto na vida dos fiéis. São elementos presentes em qualquer religião: o que, apesar de algumas parecerem tão conflitantes, todas têm em comum.

Ler sobre diversas religiões é primordial para entender, primeiramente, as “regras de convivência” necessárias em uma sociedade pluralista: a laicidade do Estado, por exemplo. Depois, vêm os símbolos, rituais, crenças e práticas: o que é o hijab, por que os hindus se dividem em castas, qual o significado do batismo, a utilidade da meditação para o budismo. Compreender é fundamental para respeitar como se deve.

A compreensão ampla da experiência religiosa enquanto fenômeno exige muitas outras leituras. No entanto, é uma boa ideia começar por O Livro das Religiões, de Jostein Gaarder, Victor Hellern e Harry Notaker. O trabalho de pesquisa dos três autores é bastante completo, e traça um panorama geral de várias crenças diferentes – inclusive das religiões afro-brasileiras. Embora não aprofunde muito em nenhum culto, o livro cumpre seu papel em informar acerca dos principais dogmas das religiões das quais trata. É um bom começo para falar de religião.