[Poesia] São só sentimentos de uma guerra declarada entre duas vidas

Foto de Elim Center International

Morei aqui
Morri além
Vivi sozinho
Sem mais ninguém

Andei trilhando
Andei andando
Fiz amizades
Continuei namorando

Andei pra frente
Andei pra trás
Companhia pra mim
A vida nunca traz

Viajo no mundo
No mundo dei voltas
Armadilha do destino
Caminho sem rota

Vivo indo e vindo
Mas tá tudo bem
Só sinto falta
De mais alguém

Come, corre, ciclo de Krebs
Felicidade é amarga e fecha minha boca
Sem esse vento no peito não sei viver
É paradoxo sensorial, vou sofrer mas sem fazer mal

Me deixa
Me deixa que hoje eu to zen
Não tem bobeira nem tem amor, meu bem
Mas vejo lá quinze doutô
E nenhum deles entende minha dor

Verso aberto, verso armado e bem amado
Vida de viajante é na ponta do lápis, na lança do olho
Dinheiro só em transe, dinheiro delirante
Não transe dinheiro sem lastro
Lastro é rastro, de rato endinheirado
Eles vão vir te buscar, acredite!

Como corre essa Lola
Fala alemão muito bem
Me deixa ir mais além?
Sair desse Cometa
Andar em Piracicaba
Quem saber achar uma árvore
Comer jabuticaba, em Capinas ou Ribeirão
Mas peço que pare essa solidão

Não dá, eu não aguento
Parece que tem cimento
No olho e na fala
Sem ninguém na sala
O que ta fazendo pra me ouvir?
Seu idiota, não consegue sentir?

Dá boa noite mãe
To com saudades
Fala pro pai do estágio, que eu to bem
Logo menos to acordando
E a Bandeirantes não me acolhe como vocês
Meu quarto fixo, com cama, é melhor
Asfalto e piche seco, borracha, pneu
Esse outro quarto também é meu

Eu to me virando, tem muita loucura
Cheguei aqui e nem sabia nome de rua
Era cidade nua, com medo de mim
Será que meu destino era escolher viver assim?

Maconheiro, largado
Esquerdista, elitizado
Camarão, como no RU
Descobri na Unesp como manda ir tomar no cu

A casa anda, meu vizinho muda
Minha vida não tem CEP, quero mulheres, todas desnudas
Mas se arruma e toma jeito!
Desgraça toda tem proveito
Teu útero universitário também
Que lindos filhos traga esse rebento

Porque assim que eu voltar
Pra essa terra que nunca saí
Vou me arrepender de novo
Do sonho em que vivi
Vou chorar um Tejo
Fernando Pessoa já sabia
Sá Carneiro na estação Paraíso também escreveu
Se não sou eu o pilar da ponte do tédio
Que vai de mim para o outro
Sou algo de intermédio

Intermédio, sou bom, sou diplomata
Se essa vida não negocia, logo te mata
Mas corre, e come com calma
Viver em dois mundos consome tua alma