O que o vídeo da juíza reconhecendo o réu tem a nos dizer

Ontem viralizou o vídeo de uma audiência dos EUA em que a juíza reconhece um antigo colega de escola que está sendo julgado por suspeita de roubo (o vídeo está no fim do post). O fator de emoção nesse vídeo é o fato de terem frequentado a mesma escola e terem se reencontrado em posições completamente diferentes.

Sem dúvida, não fui só eu que notei que a juíza é branca e o réu negro. Não estou a falar de racismo ou seletividade do sistema criminal, e sim do fato da proporção de negros/brancos juízes ser muito menor que a proporção negros/brancos na população dos EUA (fonte 1 e fonte 2).

Mas falemos do quadro brasileiro, que  é ainda pior: dos 16.812 juízes apenas 236 são negros (dados de 2014).

Aqui, apenas 1,4% do judiciário se considera negro, enquanto 84,5% se considera branco. É um quadro lamentável para uma população 50% afrodescendente (15 milhões de pretos, 82 mi pardos e 91 mi brancos).

Algo me diz que os negros brasileiros tiveram menores chances de se tornarem juízes em relação aos brancos. Algo me diz que minha turma de direito numa faculdade pública tem 110 alunos e apenas 1 negro (intercambista africano) e 5 ou 6 pardos.

E foi analisando esse quadro que o CNJ estipulou a cota de 20% para juízes negros.

Muita gente berra que cota para negros é racismo. Alguns estudos me provam que a desigualdade social é uma das principais causas de racismo. Algum professor de lógica para explicar onde está o Wally erro, por gentileza?

Ela o elogia dizendo que era o aluno mais legal da escola e o deseja sorte e uma mudança de vida.