Livros de reler

Foto de Martin. (flickr.com/quattrostagioni)

Daqueles livros pra serem lidos pelo menos uma vez ao ano, pelo menos.

Muita gente diz isso d’O Pequeno Príncipe, por exemplo. São livros que devem ser relidos com certa frequência, porque a mensagem contida neles varia de acordo com a maturidade do leitor, além de não poder ser totalmente absorvida na primeira leitura.

A rigor, a compreensão de toda manifestação artística depende da experiência e maturidade do espectador – músicas, filmes, peças de teatro, tudo isso incluso. Assim, não há regra universal acerca de quais obras devam entrar na categoria de “livros de reler”: é uma decisão um tanto pessoal e subjetiva.

O que ocorre com esses livros é que, geralmente, ao final da leitura, resta aquela sensação de que o que foi lido poderia ter sido melhor aproveitado, ou compreendido, ou que aquela obra seria um bom lugar para revisitar. Quando isso acontecer com você, terá encontrado o seu.

Meu primeiro livro de reler foi O apanhador no campo de centeio, de J. D. Salinger. Não que seja de difícil entendimento ou algo do tipo. No entanto, o mundo pelos olhos de Holden Caufield é uma perspectiva com a qual me identifico muito, e por isso não quero me distanciar ao longo da vida. Além disso, voltar ao livro sempre é uma maneira de me manter conectada com a versão de mim mesma aos 15 anos que se apaixonou perdidamente por Holden quando devorou a história dele em poucas horas.

Depois dele, vieram vários. Temo pelo dia em que minha agenda de leituras vai ser composta basicamente de livros já lidos.

Outro deles é A insustentável leveza do ser, do Milan Kundera. Esse sim é difícil, justamente por ter uma história bastante simples e, ao mesmo tempo, muito entremeada de teorias e filosofias. Já vi outros leitores que não veem nada demais em Kundera. Eu não: sempre que acabo de ler algo dele, fico com a sensação de que não o compreendi na totalidade, e que devo esperar e lê-lo de novo.

Por fim, devo citar Os miseráveis, do genial Victor Hugo. A extensão da obra me impede de relê-la tanto quanto queria, mas sempre volto ao livro para passar de novo pelos meus trechos preferidos. Faço isso porque a nova leitura sempre tem algo a dizer e acrescentar ao entendimento da anterior, além de ser uma gigantesca inspiração para pessoas como eu, que acreditam, nas palavras de Vargas Llosa, na tentação do impossível.