Não leve tudo tão para o lado pessoal

Foto de Trina Alexander

Que você leia este texto não como uma alfinetada ou algo grosseiro, mas como um conselho manso. Não importa a classe social ou a idade, mas respeito e educação, são coisas básicas da vida de qualquer ser humano. Na época das eleições do ano de 2014 mais do que ataques entre político nos canais de TV e nas redes sociais, foi muito comum discussões e ataques entre pessoas de convívio próximo. Ouvi amigos dizer que perderam amizades entre os meses de agosto até novembro e também tive a infelicidade de ter tal experiência. Nas redes sociais a discussão ficou tão acirrada e foi muito comum vermos pessoas exaltadas, agressivas e que pararam de se falar somente por não concordarem.

O que me intriga, hoje em dia, é a facilidade do descarte das amizades (ainda que seja de Facebook) devido a uma discussão e será sobre isso que iremos conversar hoje. Acho interessante a maneira de descarte das pessoas atualmente, a liquidez com que nos desfazemos das pessoas e das coisas, como já disse meu queridíssimo Zygmunt Bauman (ainda que não seja sobre os livros dele que iremos conversar hoje, deixo minha indicação especial para os livros Modernidade Líquida e Amor líquido). Pois bem, esse descarte sempre foi notável, mas à medida que as eleições foram se aproximando e o Brasil então se dividindo, pude fazer uma análise acerca da facilidade de perder a conexão com outras por assuntos “banais”.

Atualmente, cidadãos acabam por perder amizades ou coleguismo com outros cidadão por questões religiosas, políticas, econômicas ou sociais. Se for construtiva, uma discussão é sempre válida, senão, nem vale a pena, porque muitos perdem amizade a troco de “nada”. Há quem diga que sim, vale a pena, eu particularmente, digo que não. Quem está mais certo? Depende do ponto de vista de como você encara a vida. Não é porque alguém não concorda com um pensamento que seja necessário romper relações com ela. Porém, isso só se constrói com respeito e não levando a discussão tão para o lado pessoal. Se o opinião de fulano não tem afinidade com a sua, não é porque é a sua opinião, não é pessoal, mas é só porque ele não concorda com a mesma opinião que a sua.

Apesar do grande avanço da rede de comunicação, ela traz falhas, devido à grande quantidade de informação que nos é chegada e ao ódio que nos é impregnado. Acatamos muitas informações, mas, muitas vezes, sem nenhuma bagagem de leitura e pesquisa por trás. Embora ache lindo que dialoguemos e discutamos acerca de diversos assuntos, é fato que eles não devam ser levados apenas por nossas opiniões, pois é preciso que tenham alguma bagagem de leitura e análise crítica por trás, para que não saiamos por aí falando bobeiras ou coisas sem sentido.  Mas também não deixemos orgulho nos levar, se falhamos em algum momento da discussão, sejamos humildes e assumamos nossos erros ou falta de saberia naquele assunto. Isso não é feio e você não é inferior por isso (e também não deve ser inferiorizado).

Aproveito para defender também não temos que aceitar a homofobia, o racismo, e tantos outros preconceitos que existem; que temos questionar e ir para a luta para que o preconceito acabe. Porém, só peço que sejamos cautelosos para que não exista o espírito moralizador, superior e orgulhoso em nós; que respeitemos a cultura alheia; que opinião é opinião e o lado pessoal, bem… é o lado pessoal, eles não andam juntos e uma vez que ninguém se constrói sozinho e há grandes instituições religiosas e redes de comunicação responsáveis por essas ideias preconceituosas e que insinuam ao ódio, devemos ser bem cautelosos nas discussões. Todavia, ainda assim, não é o fim da linha, porque todo mundo é mutável, há jeitos e jeitos de conversar e tentar convencer uma pessoa sobre determinado assunto, porque, cá entre nós, moralismo e grosseria só impregnam mais ódio (coisa que as vias de comunicação e religião já fazem sozinhas).

Pois bem, não somos uns iguais aos outros, a ideia é que todos nós possamos ter diferentes maneiras de pensamento e que não paremos de falar com fulano ou ciclano por ele não compartilhar dos mesmos ideais que os nossos. E são estas diferenças que trazem boas construções e nos unem. Então, não é para ela gerar ódio, falta de educação e orgulho. É para construção de uma sociedade melhor. Deixo uma uma singela dica e opinião pessoal aqui. Então, mais do que uma dica de livro ou filme, hoje, eu deixo minha dica pessoal: não leve tudo tão para o lado pessoal.