Desenvolvimento e sustentabilidade: como fica o terceiro mundo?

Hoje venho colocar em xeque uma questão que merece muito debate e carece de soluções adequadas: quando se trata de preservação ambiental, como ficam os países em desenvolvimento?

Apenas com uma breve mobilização dos conhecimentos de história geral desde o século XVIII, podemos tomar duas situações principais: 1. o período da Revolução Industrial, tomado como um todo, do final do século XVIII até o século XIX e 2. o consequente boom da expansão produtiva e comercial  — particularmente na economia inglesa e, depois, em países como França, Alemanha e Estados Unidos.

Pois bem, coloquemos uma data símbolo, mediana — 1830 por exemplo — para marcar o processo de industrialização das economias já citadas. Tomemos, em contrapartida, uma data símbolo para o início do processo de industrialização da América Latina, digamos 1930 — quando foram implantadas diversas políticas de substituição de importações, em decorrência da crise de 1929 e a consequente estagnação das economias.

Uma constatação simples e rápida é a dos cem anos de diferença entre os processos de industrialização. Agora pense que mercados consumidores em nível mundial já existiam à época da primeira “onda” de industrialização. Ou seja, o terceiro mundo, quando entrou no jogo, já entrou competindo com as economias que possuíam cem anos de experiência, tecnologia e presença mercadológica.

A preocupação dos efeitos nocivos da atividade econômica humana sobre o meio ambiente só começou na década de 1970, quando os Estados Unidos institucionalizaram políticas de proteção ambiental. Nota-se, não tão longe do início do processo de industrialização do terceiro mundo. À época, as economias desenvolvidas já tinham extraído, emitido, despejado, queimado e matado uma cota infindável de recursos naturais e animais que sustentaram seu desenvolvimento. O terceiro mundo, portanto, entra nesse cenário já tendo restrições às quais o primeiro não fora submetido, além da competição desigual. E aí?

E, do outro lado da equação, temos o tal do meio ambiente, sempre aparecendo como aquele coleguinha que precisa ser café com leite na hora de brincar. Foi construído como um sistema utilitário para a satisfação das pretensões econômicas da sociedade capitalista, e que agora precisa de cuidados — não para que ele seja sadio enquanto si mesmo, mas sempre porque a humanidade sofrerá de alguma forma caso contrário. Mas ok, ele entra nesse contexto já abatido e tendo de dar conta do processo de desenvolvimento apenas da maior parte do mundo. Coloco então as seguintes questões: será possível conciliar o desenvolvimento dos países do terceiro mundo com a preservação ambiental? E o que as nações industrializadas podem e deveriam oferecer nesse processo? E principalmente, o desenvolvimento sustentável é factível na sociedade capitalista? E se a resposta for não, qual a saída?

OBS: 1. Todas datas apontadas nesse texto são simbólicas e não absolutas. 2. O debate acerca do termo “terceiro mundo” foi propositalmente deixado de fora devido à adequação editorial.