Mensalão, Petrolão, Eletrolão. Até quando?

Em entrevista a jornalistas nesta terça, dia 04 de agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal e parte fundamental da famosa Operação Lava Jato, Gilmar Mendes, disse que entende existir a mesma raiz entre o famoso Mensalão e o esquema de propinas e desvios da Petrobras, descoberto recentemente. Para o ministro, estes dois casos envolvem uma “institucionalização da corrupção” que trata da corrupção como um sistema para governabilidade.

Segundo o ministro, o Petrolão, ou o Eletrolão, como são chamados os escândalos de propina descobertos pela operação Lava Jato, são de objetivos parecidos com a do famoso Mensalão. Pagavam-se propinas por apoio parlamentar, da mesma forma que foi identificado no Mensalão, em ações concernentes ao funcionamento da Petrobras.

Ao mencionar que a corrupção tem sido usada como forma de governar, o ministro se refere ao fato dos posicionamentos dos políticos estarem subjugados por interesses do setor privado. A partir do momento que se tem conhecimento deste tipo de anomalia política, começa-se a entender a dinâmica por traz do funcionamento da política brasileira.

A venda da atuação no Congresso Nacional é a anomalia à qual o ministro se refere. O inaceitável fato de colocar o interesse particular anterior ao público, exigindo pagamentos absurdos para defender projetos de lei que agraciem determinados setores, licitações ou processos administrativos da Petrobras, é alarmante para a administração pública brasileira.

Gilmar Mendes disse, ainda em entrevista, que durante as investigações do Mensalão não foram encontrados indícios de corrupção na Petrobras, mas que durante a CPMI dos Correios (2005), apareceram indícios que poderiam levar aos esquemas descobertos nesta 17ª fase da Operação Lava Jato, mas que as investigações não tiveram prosseguimento pela Procuradoria.

Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, um dos responsáveis pela prisão de José Dirceu nesta segunda-feira (03 de agosto), o ex-ministro da Casa Civil repetiu os mesmos processos do mensalão em assuntos da Petrobras.

O que mais preocupa nesta situação é a impunidade com que os acusados de corrupção são agraciados pela justiça brasileira. Enquanto figuras importantes são mencionadas em depoimentos dos delatores da Lava Jato, outros políticos, já condenados e contemplados com a liberdade continuam a desempenhar papéis cruciais em esquemas de corrupção da máquina pública. O Brasil clama por justiça, e não é de hoje.

Este infográfico preparado pelo Canal G1 separa de forma mais didática como funcionava todo o esquema deflagrado pela Operação Lava Jato e os principais envolvidos, vale a pena dar uma olhada: http://g1.globo.com/politica/operacao-lava-jato/infografico.html