O Vale-Tudo da atual política brasileira

Foto de Jonas Pereira/Agência Senado

Depois da vitória apertada da atual presidente Dilma Rousseff no segundo turno em 2014, vivemos no Brasil uma onda de descontentamento político, refletido nos baixos percentuais de aprovação do governo produzidos pelo Data Folha e na diminuição da governabilidade do atual governo, que perdeu força de barganha dentro do sistema de coalizões que estabeleceu nas corridas eleitorais.

Coincidentemente, a Câmara dos Deputados e o Senado têm trabalhado em questões delicadas que se arrastavam pelos tramites da justiça devido à falta de interesse na criação de polêmicas políticas e desejo irrefutável de manter a mídia fora dos portões do Congresso Nacional. Pela bondade de nossos parlamentares, assuntos que a sociedade civil clamava por decisões foram trazidos à tona justamente neste momento de fraqueza do poder executivo em questões de apoio parlamentar.

Trazer a mídia para dentro da política quando é oportuno é tática recorrente no cenário político brasileiro, onde a oposição, ao invés de realizar seu trabalho de contrapeso e fiscalização das ações do governo, gasta toda sua energia com planos mirabolantes que prejudicam mais a população do que resolvem os problemas da administração pública.

Não que estas questões não mereçam ser observadas e finalmente exploradas pelo Congresso Nacional, mas a escolha do momento oportuno para colocá-las em foco é o que chamamos de oportunismo. Questões delicadas como a redução da maioridade penal, aprovação de aumentos ao judiciário ou a aprovação do aumento dos gastos públicos são questões que sempre dão o que falar. Não é uma exclusividade do momento atual.

Falando nisso, o Congresso aprovou o aumento dos gastos públicos em um período de recessão econômica, onde a recomendação é a diminuição destes, redução essa clamada ao poder executivo pela oposição. Agir deste modo representa uma crise política ou um golpismo descarado?

Vivemos atualmente um vale tudo na política onde o que mais interessa é a desestruturação do sistema democrático, conquistado através de muita luta política — que permite manifestações de descontentamento e livre expressão de opinião, mas que também prevê que a maioria escolha para a minoria. E não existe essa de maioria governar sobre minoria, ou que há abstenção de culpa se você não votou no governo que apresenta maus resultados. A única coisa que existe é um revanchismo negativo que prejudica o desenvolvimento da economia e da democracia brasileira.

Esse revanchismo torna cada dia mais insustentável a luta por melhores condições a todos os brasileiros. Enquanto gasta-se tempo e dinheiro lutando contra o governo democraticamente eleito, projetos de lei que poderiam aquecer a economia e devolver o percentual de crescimento brasileiro ao campo entusiasta são negligenciados por nossos queridos legisladores eleitos. Essa troca de farpas e “picuinhas” mal-intencionadas são uma grave enfermidade que cabe a uma dose cavalar de reforma política resolver, só que com resultados a longo prazo. Agora só podemos contar com o poder de articulação do governo Dilma e as manobras que ainda lhe restam.