Corromper ou não corromper: Aécio em questão

O que mais escandaliza: a corrupção ou o julgamento seletivo da corrupção?

A famosa operação de posto, intitulada Lava Jato, ilustra bem esse tratamento desigual de “nomes” que circulam na boca dos delatores. No entanto, uma operação como essa, conduzida por técnicos (pessoas da lei e da polícia federal “isentas” de qualquer posicionamento político partidário), não prevê certos questionamentos da sociedade como vemos em uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a exemplo da CPI da Petrobras.

Uma CPI comporta falas que fogem ao escrutínio do Juiz Sérgio Moro e de seus suseranos que querem privatizar o Brasil. Em uma CPI podemos ouvir um deputado perguntar as razões pelas quais os delatores estão proibidos de citar a corrupção na Petrobras anterior a 2003.

Só em uma CPI é possível ouvirmos a voz indignada de quem é tratado como idiota pelo judiciário e pela mídia, uma vez que se investiga com critérios distintos as doações de campanha ao PT e ao PSDB: doação ao PT é propina; doação ao PSDB (feita exatamente pela mesma empresa) é generosidade (vide: https://www.youtube.com/watch?v=gGk0BlaVNFQ ).

Acontece que na CPI da Petrobras os delatores entregaram o PSDB citando propinas até de Furnas. Eles já tinham feito isso antes, mas suas falas foram abafadas a ponto de desaparecerem no tempo do mundo, ou seja, no tempo dos jornais. (A título de registro histórico: delação antiga do doleiro Alberto Youssef à Lava Jato em que ele cita a participação de Aécio no “esquema de Furnas”: < https://www.youtube.com/watch?v=Zq9Hh2VM8Bs >)

E mais ainda: esse doleiro de plantão, o delator “carta na manga”, pau para toda obra, na data de 25/08, ao vivo e a cores, entregou o Menino do Rio: o senador Aécio Neves recebia propina de Furnas. (Vale a pena ver: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/08/internautas-usam-imagem-da-globonews-para-pedir-explicacoes-a-aecio-neves.html).

É isso mesmo, o Garoto Propaganda das Manifestações pró-impeachment. Aliás, foi o próprio PSDB que convocou essas manifestações coxinhas, especialmente a do último dia 16/08, com o Aécio encabeçando o “movimento” e endossando o seu sonho de um dia acordar presidente.

Não é engraçado que um grupo de pessoas saia às ruas para protestar contra a corrupção no Brasil (embora os protestos tenham sido nitidamente a expressão do ódio construído contra o PT) e ostente bandeiras de um partido envolvido nas mesmas denúncias de corrupção? Ou será que as falas de Youssef servem contra o PT e não contra o PSDB?

Parece que a mídia corporativa tem uma boa explicação para isso: os seus jornalistas tomam os relatos proferidos pelos delatores como a pura verdade e mancham a imagem de quem lhes convém (leia-se: quando envolve alguém ligado ao PT). Mas quando não convém (ou seja, quando há políticos do PSDB envolvidos), o posicionamento é outro e vale tudo para esconder, já que não podem tarjar, certos nomes.

Como exemplo, o caso da proteção de Aécio Neves é a maior expressão possível desse compromisso da mídia em combater o petismo pela via tucana. A esse respeito, cabe aqui uma matéria que faz um resumo do “apagão” na mídia sobre nome de Aécio na última delação: http://cartamaior.com.br/?%2FEditoria%2FPolitica%2FGlobo-e-UOL-tentam-salvar-Aecio%2F4%2F34338.

As pessoas se chocam quando se fala na corrupção do PSDB. Esse choque se dá pois não se fala dela. É um tabu citar denúncias contra um Aécio, um FHC, um Serra ou um Alckmin. Mas elas estão aí e precisam ser esmiuçadas pela justiça, tanto a da mídia julgadora como a da justiça da nossa querida República.

E falar dessa corrupção do PSDB, blindada e protegida a sete chaves, não é ser petralha ou esquerdista. Não. É simplesmente tratar de forma honesta alguns pontos cruciais para se combater verdadeiramente a corrupção no Brasil.