Legalizaram a droga

Crédito: Arthur Caranta

Decidiram liberar a droga. De uma hora para outra, esse tipo de entorpecente já fazia parte da vida das pessoas.

Propagandas de TV, rádio e internet, onde figuravam modelos semi-nuas oferecendo a droga, pululavam em programas matutinos, vespertinos e noturnos. Aonde quer que você olhasse havia sempre uma menção publicitária à droga.

Clubes esportivos e estádios eram patrocinados pelas marcas famosas da droga.

Vendiam em praticamente toda esquina, em qualquer hora do dia ou da noite. Estabelecimentos comerciais os mais variados se espalharam com a venda de especialidades artesanais, exóticas, rebuscadas e gourmet da droga.

A escala de valores da droga dava amplitude de compra a um tipo próprio dos ricos e um tipo dos pobres. E todo mundo conseguia satisfazer seu vício, independentemente da classe social.

Havia cursos para que o sujeito estudasse os meios de fabricação da droga e até competições de qualidade, com altos prêmios, selos, certificados e reconhecimento público para o ganhador.

As pessoas usavam nos aniversários, nas festas de despedida, nos encontros com os amigos, depois do trabalho, na comemoração do batismo do filho, no almoço de domingo. Tornou-se difícil encontrar um lugar ou ocasião em que a droga não estava presente.

Podia-se constatar a naturalização total da droga pois inclusive o homem mais rico do país* era o dono do maior cartel de produção – curioso é que a população não o via como traficante, mas como um empresário de sucesso. Os grandes vendedores da droga eram chamados para dar palestras à juventude empreendedora.

A droga se tornou uma verdadeira comoção nacional.

Contudo, de que droga estamos falando mesmo? Detalhe importante: é a droga obtida a partir da fermentação ou destilação de frutas e cereais, a qual recebe o nome de álcool. O álcool é uma droga que compreende um verdadeiro universo de categorias, cabendo citar aqui alguns exemplos comuns em nossa cultura de consumo: cerveja, cachaça, vodka, cerveja, whisky, rum, cerveja, tequila, vinho etc.

Não há muita razão para se estender nesse tipo de discussão – não sejamos hipócritas como nossos representantes no Estado ou os donos dessas corporações de drogas lícitas que impedem a legalização das demais substâncias que alteram a normalidade da consciência. Certamente você já deve estar louco ou louca de vontade de tomar uma cervejinha estupidamente gelada. É inevitável. Somos todos viciados.

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*Nota: o homem mais rico do Brasil é o dono da Ambev, empresa que detém boa parte da produção internacional da droga analisada no presente texto. Vide: http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/09/01/mais-rico-do-brasil-dono-da-ambev-ganha-r-386-mi-por-hora-em-um-ano.htm