Queima de estoque de livros (literalmente)

Foto de Jessica Wissel

Universitário pobre e desempregado que sou (perdão pela redundância), sempre procuro promoções antes de fechar compras. Dá-lhe Black Friday, aniversário de loja, queima de estoque, BuscaPé e Dia do Consumidor. Dezembro do ano passado, estava à procura de uma coleção de Direito Civil. Nos sites das editoras, costuma ser mais barato, mas dificilmente fazem promoções. Eu não precisava de uma edição do ano. Pouca diferença tem entre as edições 2014 e 2015. No chat de uma editora, tive a seguinte conversa:

 

– Olá. Me interesso pela coleção de direito civil. Vocês fazem promoção para queima de estoque em janeiro?

 

–  Não. Em janeiro, uma nova edição será lançada.

 

– E o que acontecerá com a sobra da edição 2014?

 

Adivinha? Eles destroem os livros! Uma literal queima de estoque. Na primeira vez da história em que a superprodução de livros acontece, as editoras preferem destruir conhecimento a vendê-lo mais barato.

Concluí  que fazem tudo isso apenas para manter preço.

Mas de quanto poderia ser esse desconto? Se o Código Civil mudou muito pouco (como a maioria dos anos), a edição 2014 servirá por vários anos, ou seja, o desconto não precisa ser grande.

Para essa conta valer a pena, os custos para fazer o livro, destruí-lo e fazer um novo livro são menores que os descontos que poderiam oferecer.

Isso só nos leva a crer que os livros e já acrescento as músicas, CDs e tantos outros meios de cultura, lazer e entretenimento (*que não é o caso do Direito Civil) são extremamente superfaturadas. São lucros exorbitantes mesmo com isenções fiscais.

Sem dúvida esse fenômeno limita o acesso ao conhecimento e à cultura no Brasil. Não é à toa que, de madrugada, na Argentina se encontram mais livrarias do que farmácias abertas.

Dá-lhe Black Friday, aniversário de loja e Dia do Consumidor.