Sobre Orgulho e Preconceito (2005)

Eu já assisti Orgulho e Preconceito* umas 10 vezes e agora vou explicar porque não enjoo do filme.

Antes de qualquer coisa, preciso dizer da genialidade de Roman Osin, o diretor de fotografia. Os ângulos de câmera, o foco das lentes e o enquadramento, tudo é fantástico. Cada cena parece uma foto daqueles concursos de fotografia. Ele envolve a cena numa áurea que transmite o exato sentimento daquele momento da história. Não foi à toa que ele já ganhou dois prêmios como diretor de fotografia (um prêmio britânico e outro europeu).

Para poupar palavras, veja essas 5 cenas:

O filme todo é assim. Roman Osin fez uma obra de arte em cima de uma obra de arte. Sem palavras.

Há também a atuação extraordinária de Keira Knightley, que foi indicada ao Oscar de 2006. Na época, ela tinha só 20 anos 😯

As músicas também são perfeitas. São todas músicas clássicas, então sou meio suspeito a falar. De qualquer forma, te levam 2 séculos para trás. Assiste e depois me fala 😉

E, por fim, a história. Muita gente acha enfadonha e lenta, mas é aí que está a beleza de Orgulho e Preconceito. É o caminho da conquista, cheio de profundidade, gradual, que, antes de fazer você torcer por um casal, te faz querer entendê-lo. Necessariamente precisa ser uma nuvem de incertezas, que intriga e te faz comemorar cada pequena interação entre o moço e a moça.

Assistir ao filme é se perguntar a todo momento se houve ou não profundidade na primeira troca de olhares. É compartilhar com os personagens a curiosidade que um tem do outro. Eles realmente estão destinados a ficarem juntos? A resposta vai e volta a todo momento. E tudo isso fica ainda mais belo com os olhares que as irmãs Elizabeth e Jane trocam com Mr. Darcy e Mr. Bingley sob a fotografia de Roman Osin. Mais que entretenimento, é terapêutico.

É a pureza, a leveza e o charme da conquista e do amor expostos na tela, em 120 minutos.

Apesar de a história ter sido escrita por Jane Austen bem antes de Machado de Assis nascer, deixo aqui um trecho de Memórias Póstumas que me lembram Orgulho e Preconceito:

“…porque o maior defeito deste livro és tu, leitor. Tu tens pressa de envelhecer, e o livro anda devagar; tu amas a narração direita e nutrida, o estilo regular e fluente, e este livro e o meu estilo são como os ébrios, guinam à direita e à esquerda, andam e param, resmungam, urram, gargalham, ameaçam o céu, escorregam e caem…”

Sem mais.

P.S.: tem no Netflix 😉

*Me refiro à adaptação de 2005