A borboleta, um conto infantil

Foto de David Yu

– Mamãe, mamãe! Tem uma borboleta no chão do banheiro. É gigante, mamãe!

– Sei. Escova os dentes e vai já pra cama.

– Mamãe, mamãe! Eu mexo nela, mas ela não quer sair. O chão está molhado, acho que alguém pode pisar, empurrei um pouquinho aquele tapetinho debaixo do chuveiro, ela bateu as asas, mas não quis sair.

– Escova já esses dentes, menino!

Pedrinho entrou outra vez no banheiro e, cuidadoso, foi empurrando o tapete de banho em direção à borboleta, para que ela subisse, afinal. Teve medo: não é que fosse grande, mas tinha um corpo do tamanho de suas mãozinhas.

O chão estava molhado e era preciso, de algum jeito, tirá-la dali: se o pai ligasse o chuveiro, não a veria e pode muito que pisasse nela.

– Ai, mamãezinha! Ela bate as asas, mas não voa! – gritava do banheiro, de onde escutava apenas a própria voz.

A borboleta, como se ouvisse seus apelos, que mais pareciam gemidinhos, colocou as patinhas, uma atrás da outra, sobre o canto do tapetinho de plástico. Repousou as asas sobre o corpo e ali ficou.

Maravilhado com a manobra, Pedrinho passou um minuto inteiro olhando a borboleta, em uma quase veneração. De pouco em pouco, curvou o tapetinho de banho, de um jeito que não assustasse a borboleta. Era preciso o quanto antes movê-lo do chão, sem perturbá-la.

– Já peguei, mamãe. Está aqui!, disse extasiado, agora quase sussurrando, enquanto saía do banheiro e entrava na sala. A mãe, porém, continuava a mexer no celular, indiferente.

Pedrinho foi à janela da sala: era dali que se via a paisagem mais bonita. E sempre bate um ventinho, pode ser que ela goste, pensou. E agora ela voaria, sem bater na parede, sem ficar presa aos móveis e coisas da casa.

Enquanto arrumava os braços para fora da janela esperava, serenamente, por algum sinal de vento. Observava a respiração fraca, mas constante, da borboleta: era como a sua.

O vento veio, afinal. – É agora, borboleta, disse.

Com a mãozinha esquerda segurava o tapetinho. Com a direita, carinhosamente empurrou o animalzinho para fora do tapete e, sem mais, ela estava solta. Mas o vento calou e a borboleta parou no ar, por um segundo.

E se estatelou no chão como uma pedra.