A lição de Cunha

Foto de PMDB Nacional

Não há espanto com as falas grotescas dos parlamentares no domingo de votação do processo de impedimento da Presidente Dilma. Qualquer pessoa que minimamente acompanha as campanhas eleitorais conhece o que esses indivíduos são capazes de dizer diante das câmeras.

A carnavalização dos espaços democráticos é um reflexo da nossa cultura política midiatizada: a corrupção vira fantasia de verde e amarelo.

O que fica de aprendizado desse espetáculo de votação não é o aval dado ao elogio de torturadores, tampouco a criminalização de minorias, de movimentos sociais e sindicais, muito menos o apreço dos brasileiros pela sua família e religião – antes dos deputados que estão lá existe a população que os elege.

Mas sim, graças à força de Cunha o Partido dos Trabalhadores aprendeu que a tese da “governabilidade a qualquer custo” é falsa, que dar ministérios aos caciques do PMDB não garante o assento no Palácio da Alvorada, que se rebaixar para partidos de centro-direita com alianças espúrias, que implementar políticas econômicas de austeridade fiscal em nome do mercado, que trair as promessas de campanha feitas para sua base, tudo isso não assegura um mandato popular.

O golpe foi dado bem na boca do estômago de quem achou que os fantasmas do atraso deste país tinham saído de cena. Será que nem vendendo sua alma a “esquerda” vai conseguir governar o Brasil?